22/09/2009
Brasília - As empresas Sadia e Perdigão foram autorizadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a operarem conjuntamente no mercado externo. Com isso, as empresas poderão negociar conjuntamente volumes e preços com os clientes finais, coordenar estratégias comerciais para atendimento do mercado externo, contratar fretes, seguro e armazenagem, além de poderem desenvolver juntas uma política de análise de crédito a clientes internacionais. A decisão do Cade ainda permite que as empresas coordenem as atividades de logística e de planejamento de vendas e marketing voltadas para o mercado externo.
As empresas, no entanto, continuam impedidas de operaram juntas no mercado brasileiro. Com a compra da Sadia pela Perdigão este ano, o Cade determinou que as estruturas administrativas, produtivas e comerciais da Sadia fossem mantidas, com manutenção da marca, e proibiu a troca de informações entre as duas empresas. Para isso, foi assinado em julho o chamado "Acordo de Preservação da Reversibilidade da Operação" (APRO), que tem como objetivo manter as estruturas das duas empresas separadas até que o ato de fusão seja julgado pelo Cade. O órgão entendeu que a nova empresa - Brasil Foods - terá uma grande concentração do mercado de carnes in natura, impondo barreiras à entrada de outros concorrentes.
No dia 8 de setembro, as empresas solicitaram a permissão para integrarem as atividades de exportação, sob o argumento de que a união permitiria "a captura de sinergias importantes no mercado externo", relevantes neste atual cenário de crise internacional. Alegaram também que a parceria não teria efeitos concorrenciais no mercado doméstico. A autorização foi dada pelos conselheiros na semana passada.
O Cade, no entanto, determinou que não sejam reduzidos os volumes de exportações das duas empresas e que sejam preservadas as duas marcas no mercado externo. Sadia e Perdigão também devem manter as suas equipes voltadas ao mercado externo e as respectivas carteiras de clientes.
Sadia e Perdigão também não podem trocar informações sobre custo de produtos exportados, preços de venda dos produtos comercializados no mercado doméstico, quantidades comercializadas no mercado interno e quaisquer informações referentes às atividades desenvolvidas pelas empresas no Brasil.