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Notícia

26/03/2010

MERCOSUL faz propostas à UE para destravar acordo

MERCOSUL faz propostas à UE para destravar acordo 

As iniciativas foram interpretadas como sinal de que as negociações entre os dois blocos poderão avançar O MERCOSUL ofereceu à União Européia (UE) maior abertura de seu mercado para o setor automotivo e propôs a eliminação mútua de tarifas para uma série de produtos agrícolas processados. A UE, por sua vez, acenou com flexibilidade na área agrícola, desde que através de uma "bolsa comum" de concessões que reduziria o número de cotas de 14 para 3 produtos do MERCOSUL.  As iniciativas, segundo o Valor apurou, foram interpretadas como sinal de que as negociações entre os dois blocos, que estão emperradas há mais de seis anos, poderão avançar. A UE propôs uma nova reunião para o fim de abril, em Bruxelas, quando ficará claro o que será possível anunciar na reunião de presidentes prevista para maio, em Madrid, com vistas a um possível fechamento do acordo de livre comércio ainda neste ano. O MERCOSUL ofereceu reduzir de 18 para 15 anos o prazo para eliminação de tarifas de importação de automóveis. Para o setor de peças, a liberalização também passaria a ser ao longo de 15 anos. É mais uma melhora, já que o bloco oferecia apenas uma margem de preferência para os europeus, de 25% a 50% em relação a outros parceiros. Alguns outros produtos continuarão submetidos a um período maior de proteção, mas a maior parte dos bens industriais teriam tarifas de importação abolidas no MERCOSUL em 10 anos. Tanto a União Européia quanto o MERCOSUL haviam recuado em suas ofertas em 2004 e a partir de então a negociação ficou congelada. As discussões foram retomadas no fim do ano passado, para decidir sobre uma volta às negociações, com o objetivo de concluí-las rapidamente. As ofertas dos dois blocos têm lógicas diferentes. O MERCOSUL abre mais a área industrial e a UE, a agrícola, na qual o lobby de seus produtores em busca de proteção é cada vez mais forte. As relações comerciais entre o MERCOSUL e a UE apresentaram déficit crescente para os europeus até 2008. No ano passado, o resultado negativo diminuiu, mas ainda alcançou € 7,8 bilhões.

 

Fonte: Valor Econômico de 24/03/2010

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